Qual a sensação que motiva uma viagem? Qual a sensação que provoca uma música ou um livro? Qual a sensação que te faz entrar em algum estabelecimento e consumir só um café ou uma deliciosa e elaborada refeição? Qual a sensação que te desloca a um museu, teatro ou cinema? E qual a sensação que fica após todos os desejos satisfeitos? Esse é o meu diário de sensações e através das minhas sensações espero satisfazer, aguçar ou provocar as suas próprias...
12 de set. de 2010
Sensação Londres I - 1.998
Cheguei em Londres chorando de saudade de Paris.
Achei tudo horrível no percurso até o hotel. É assim quando nos apaixonamos, só é lindo nosso objeto de desejo, o resto é horrível, principalmente quando fomos brutalmente arrancadas dos braços da paixão.
Os recepcionistas do hotel pareciam da Família Adams, horríveis.
O hotel devia ter uns mil quartos e 400 mil anos. Horrível.
O quarto parecia uma solitária com janela para os outros 500 quartos. Horrível.
Sendo assim, fui fazer a única coisa feliz que era possível naquele momento! Beber!!! Beber muito, beber todos os tipos de cerveja e depois repetir algumas. Londres ficou linda no percurso de volta ao hotel, estava garoando, a cidade ganhou um brilho especial porque Londres é uma cidade opaca. Cambaleando, voltei por puro instinto, sem nenhuma razão na mente e os cabelos que saíram lisos, voltaram crespos.
Acordei com uma das piores ressacas e dores de cabeça da vida.
Demorou um inferno para o recepcionista me mandar um transformador para eu fazer uma escova no cabelo e como não chegava, saí com o cabelo crespo mesmo, um desastre uma pessoa chegar tão deselegante de Paris!
Não enxerguei nada no city tour, nada que já não tivesse visto com melhor definição em cartões postais.
Tinha uma amiga morando lá e ela tinha acabado de saber que estava grávida. Troquei Londres por ela e resolvi que não queria conhecer nenhum museu e sim passear e conversar com a Andrea. Fomos a Covent Garden, Hyde Park, Harrods, andamos e comemos muito, ela tinha desejo de tudo e eu não tinha culpa por nada, só de gastar as libras, mas a vida é assim, podemos gastar mais de um lado e economizar mais de outro, tudo dá certo no final. Só não dá certo quando queremos gastar mais energia com coisas e pessoas que não estão no nosso fluxo de vida e menos emoção com coisas e pessoas que são nossas verdades de sentimento... aí é o caos armado!
Nessas andanças percebi muita coisa, não sobre Londres, mas sobre os londrinos, não sei se isso se estende especificamente aos ingleses.
Percebi que, ao contrário do que falam, eles não são secos, não quando são amigos e já tem intimidade, o que deveria ser o normal. Os grupos de amigos se encontram nos pontos do metro e se beijam, beijam muito, estalando a boca na bochecha do outro, mesmo! Se abraçam bastante também.
Não sou consumista, mas sou estética, observadora, adoro novidades, excentricidades e coisas diferentes e exóticas. Me admirei com as lojas em Londres.
Se você entrar numa loja de velas, vai encontrar todos os modelos de vela que jamais sonharia imaginar que exista, na cor que quiser. Se entrar numa loja de botas, é bota do chão ao teto, desde a botina, até a bota da "drag queen". E por aí vai... com meias, papelaria, acessórios... fiquei fascinada com isso!!!
Passei por um sebo exclusivo de estórias em quadrinhos, muito legal. Nunca vi tanta coisa linda (e também cara) numa feira hippie, como em Covent Garden.
Percebi um povo muito criativo e a sensação em Londres foi de que havia muito, mas muito mesmo para explorar e que mais um dia ali, novamente não ia querer seguir ao próximo destino que era Bruxelas. Ignorei a história, ignorei a cidade, mas notei sua maturidade espirituosa e sua nobreza. A nobreza é assim. Se faz notar no mais profundo silêncio.
Então foi essa a sensação que tive de Londres... uma cidade criativa, madura e nobre! Também ficou a certeza de que voltaria.
E acho que vale contar que peguei metro à noite, sozinha que fiquei com medo. Medo dos bêbados. É... porque é assim, eles saem do trabalho direto para o pub, então meia-noite o metro está cheio de trabalhadores honestos e bêbados cambaleando, tentando voltar para casa e, foi meio assustador, porque sabe... não estou acostumada! Que falta de senso! Nunca fiz isso... ficar sóbria no meio dos bêbados! Foi o cúmulo que fiz em Londres! Absurdo!
23 de ago. de 2010
Sensação Paris I - 1.998
A primeira vez que estive em Paris, sozinha, era como se estivesse renascendo, como se nada antes disso tivesse existido, exatamente essa a sensação.
Cheguei num fim de tarde, fiquei num hotel a oeste e fiz um city tour noturno. Durante o percurso, de repente o ônibus se deparou com a base e, somente a base, da Torre Eiffel, gigante e iluminada. Meu coração disparou e ali, nunca mais diminuiu o ritmo.
Perdi a razão, descobri meus sentimentos, me apaixonei perdidamente.
A paixão tem o poder de congelar o universo e fazer existir somente o apaixonado e o objeto de desejo. Assim foi minha primeira relação com Paris. Por três dias, só existíamos nós.
Quando nos apaixonamos, descobrimos o melhor que existe em nós e o melhor que existe no outro, mas não nos contentamos, queremos descobrir ainda mais, queremos descobrir tudo. Existe muito para se descobrir em Paris, mas muito mais para se descobrir em nós quando estamos em Paris. Descobrimos o amor próprio. Descobrimos o prazer de sermos quem somos e o prazer de namorar uma cidade e ser namorada por ela. Descobrimos que as luzes da "Cidade Luz" podem refletir a beleza, a sensibilidade, a ternura e o amor que temos em nós mesmos.
Mas como toda paixão arrebatadora parece ter os dedos do destino para a separação brusca, em três dias precisei deixar a cidade e parti, sem desvendar toda arte, história e hábitos de Paris. Chorando, fui para Londres, que me socorreu como socorrem os amigos, quando sofremos as desgraças do coração... com aquela bebedeira de qualidade, isto é, quantidade de cervejas com alto teor alcoólico!
11 de abr. de 2010
O que você faz quando já não aguenta mais?
O que você faz quando você já não aguenta mais?
Quando você percebe que os rumos que você seguiu já não eram exatamente os que você escolheu, mas o que você precisou escolher?
Quando nesse percurso você se prende a pessoas, coisas e até dores que não são mais as suas?
Quando você está cansado de se responsabilizar por tudo o quê acontece na sua vida, se trabalhar o tempo todo para ser uma pessoa melhor e as pessoas a sua sua volta continuarem igualzinhas?
Quando você já não suporta mais ouvir as mesmas vozes e principalmente os mesmos discursos?
Quando você nem suporta mais ouvir a sua própria voz e nem tem mais nenhum discurso?
Quando você percebe um fluxo de energia levando as pessoas para o meio do ciclone da ilusão e você sabe que jamais estará ali, mas que também ficará sozinho olhando todos se perdendo?
Quando você já encontrou dentro algo que ainda não encontrou fora?
Quando o cenário precisa desesperadamente mudar porque seus olhos já não aguentam mais ver a mesma poluição, o mesmo trânsito, a mesma moda e os mesmos padrões?
O que você faz quando você já não aguenta mais?
Não sei se percebemos isso de forma racional, a minha foi intuitiva, mas quando sentimos, é impossível se manter onde está e o negócio é viajar!
Romance Integrado à Natureza
Imagine o seu primeiro feriado viajando com o namorado novo. Você mora em São Paulo, ele no Rio de Janeiro.
O desejo é de se refugiar e mostrar que em São Paulo tem natureza... que existe verde, cachoeira e um pôr-do-sol, diferente do Arpoador, mas também encantador.
Tem um lugar assim em Jundiaí? Na Fazenda Montanhas do Japi! Então, é para lá que nós vamos.
Chegando na Fazenda Montanhas do Japi, em exatos 40 minutos, no fim da tarde, nos deparamos com uma intensidade de verde e um frescor que vem das árvores de Eucaliptos.
Somos recebidos pela proprietária, Hanah e tomamos um delicioso café com ela, na sede da fazenda, onde tem 03 habitações e uma vista lindíssima para o lago, enquanto nosso chalé não fica pronto. Em minutos a noite vai surgindo e essa me pareceu uma estratégia brilhante a fim de que já encontrássemos nosso chalé ao cair da noite.
Pegamos o carro, contornamos o lago e chegamos na Casa Gênio, com as portas abertas para nós.
A sala com a mesa de jantar montada à luz de velas. O jantar servido no fogão a lenha. O fogo crepitando...
Flores frescas perfumando sutilmente o ambiente. O som? Do universo... o silêncio profundo que se quebrava com o barulho do vento batendo nas folhas e dos animais da Serra do Japi.
Envolvidos pelo clima de romance da noite, esquecemos de perguntar onde seria o café da manhã no dia seguinte e suspeitamos que fosse na sede, junto com os outros hóspedes.
Para nossa surpresa, quando saímos do quarto, na mesma mesa de jantar estava servido o café da manhã, como num passe de mágica.
Esse é um serviço diferenciado e exclusivo que a Fazenda Montanhas do Japi presta sem muita divulgação. Vale a pena conferir e solicitar um orçamento para uma data especial, você se surpreenderá com a sensação e também com o valor, nada abusivo!
25 de jan. de 2010
Sensação de Liberdade - Primeira Viagem Sozinha.
O que motiva uma jovem a viajar sozinha?
No meu caso queria desbravar, conhecer, me sentir livre e estar sozinha com meus pensamentos e desejos.
Também queria conhecer a Irlanda e era para lá que ia. Naquela época, ainda havia conflitos do IRA e para tranqüilizar meu pai, resolvi pegar uma excursão de 26 dias pela Europa que passava por 7 países, assim poderia ter uma idéia do que era o Velho Mundo e escolher um lugar para voltar no ano seguinte. A excursão era somente um apoio e antecipadamente já tinha decidido que só faria os tours das cidades, bem como já tinha determinado a programação que faria sozinha.
Aterrizei em solo espanhol e claro, fui conhecendo pessoas no caminho até o hotel. Queria ser invisível, "a menina do cantinho" como diria Liz Gilbert, aquela que ninguém percebe, mas nunca consegui isso! No hotel, os apartamentos não estavam prontos e fui com a "turma" da excursão dar uma volta pelo bairro e almoçar. Naquela época a "turma" da excursão já me irritava. Não consigo entender porque brasileiro sempre precisa mostrar que é brasileiro e que... chegou!!! Chega sempre causando tumulto. Simplesmente não consigo conviver com essa "sensação", de estar no meio de pessoas indiscretas e que não respeitam outras culturas. Sou da seguinte opinião, se você é visita, por favor, comporte-se como o anfitrião ou melhor que ele. As pessoas eram boazinhas, simpáticas, engraçadas, mas já começavam a dar outros sinais que também não me agradavam. Sabe aquela estória de dizer que é "tudo velho" e ficar comparando ao Brasil? E também comparar a comida? Mas por que, então, não foram visitar a ala futurista em Epcot Center? Melhor, poderiam ter ficado em casa assistindo Guerra nas Estrelas e comendo arroz com feijão! Esse é o tipo de sensação que não desejo ter numa viagem. Você pode amar ou detestar um lugar, mas não compare com o seu, simplesmente aceite e aprecie as diferenças.
Voltando ao hotel e entrando no quarto me senti verdadeiramente sozinha e em paz. Decidi dormir para me recompor e sair à noite. Eis que meu telefone não parava de tocar. Era a "turma" querendo me chamar para "fazer coisas". Ali, naquele momento, percebi que minha sensação inicial da viagem começava a mudar. Fui sozinha para "me sentir", para sentir minha liberdade, para saber quem eu era isolada da família e dos amigos e já havia desconhecidos me incomodando. Me arrependi de não ter levado minha mãe, chique, inteligente e culta para ter que conviver esses dias com uma mulherada desequilibrada. O que eu estava fazendo ali naquele quarto em Madri com o telefone disparando? Não queria ouvir um ruído e tinha esse direito, havia pago por esse direito, afinal. Chorei copiosamente de arrependimento e medo de não saber o que fazer ou como lidar com esses desconhecidos que tentavam invadir minha privacidade. Chorava, chorava e chorava enquanto ignorava o telefone.
Peguei o livro "Manual do Guerreiro da Luz", do Paulo Coelho e li todinho, certa de que teria que ser uma guerreira naquele lugar, certa de que precisaria estabelecer uma confiança interna, criar um campo impenetrável ao meu redor e conviver em harmonia com todos, impondo limites. Mergulhei na cama novamente e dormi mais, profundamente.
Quando acordei eram quase 11h30pm e estava morrendo de fome. Me arrumei, desci e sozinha andei pelas ruas de Madri procurando um lugar para tomar meu café com leite e comer um lanche. Achei. Sentei, conversei com o garçon que me deu dicas para tomar cuidado sozinha aquela hora e apreciei aquele momento mágico, estava sozinha na Europa!
Naquele momento e a partir dali eu precisava ser. Ser eu mesma. Nenhuma interferência externa poderia abalar minhas decisões e influenciar minha viagem.
Foi dessa forma que precisei ir sozinha à Europa para aprender a criar um campo inacessível ao meu redor, estabelecer limites expondo meus desejos pessoais e dizendo "não" para descobrir a maior liberdade que existe... a liberdade interna!
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