23 de ago. de 2010

Sensação Paris I - 1.998

A primeira vez que estive em Paris, sozinha, era como se estivesse renascendo, como se nada antes disso tivesse existido, exatamente essa a sensação. Cheguei num fim de tarde, fiquei num hotel a oeste e fiz um city tour noturno. Durante o percurso, de repente o ônibus se deparou com a base e, somente a base, da Torre Eiffel, gigante e iluminada. Meu coração disparou e ali, nunca mais diminuiu o ritmo. Perdi a razão, descobri meus sentimentos, me apaixonei perdidamente. A paixão tem o poder de congelar o universo e fazer existir somente o apaixonado e o objeto de desejo. Assim foi minha primeira relação com Paris. Por três dias, só existíamos nós. Quando nos apaixonamos, descobrimos o melhor que existe em nós e o melhor que existe no outro, mas não nos contentamos, queremos descobrir ainda mais, queremos descobrir tudo. Existe muito para se descobrir em Paris, mas muito mais para se descobrir em nós quando estamos em Paris. Descobrimos o amor próprio. Descobrimos o prazer de sermos quem somos e o prazer de namorar uma cidade e ser namorada por ela. Descobrimos que as luzes da "Cidade Luz" podem refletir a beleza, a sensibilidade, a ternura e o amor que temos em nós mesmos. Mas como toda paixão arrebatadora parece ter os dedos do destino para a separação brusca, em três dias precisei deixar a cidade e parti, sem desvendar toda arte, história e hábitos de Paris. Chorando, fui para Londres, que me socorreu como socorrem os amigos, quando sofremos as desgraças do coração... com aquela bebedeira de qualidade, isto é, quantidade de cervejas com alto teor alcoólico!